O Diário de Anne Frank
6 de agosto de 2011
O telefone celular - Rubem Alves
Pois eu vou me juntar ao frei Beto para falar mal do telefone celular. Faz tempo, comprei um, daqueles pesadões, hoje elefantes se comparados aos mais modernos, pequenos beija-flores que se seguram delicadamente com o indicador e o polegar. Me sinto humilhado, pela comparação. Pensei em comprar um beija-flor, para exibir minha modernidade. Mas não adianta. O meu, nesse momento em que escrevo, não sei onde está. Também não adianta. Está sempre desligado. Acho que não quero ser encontrado.
Psicanalista, tenho o costume de ficar interpretando os objetos. O telefone sendo um deles. Descobri, num museu da cidade de Lavras, uma “folhinha” colorida da loja da minha avó, Sophia Alves do Espírito Santo, próspera e progressista. Data: 1917. Está lá, o número do telefone: 23. Pensei: para que? Quantos telefones devia haver em Boa Esperança, naquele ano? Dois? Três? E mesmo se houvesse, as pessoas não faziam compras por telefone. O tempo era muito comprido, e as pessoas queriam mesmo era ir ao lugar, para matar o tempo que não passava e prosear. Negócios com a capital? Impossível. Não se faziam negócios por telefone. Mesmo porque não se conseguia ouvir o que se dizia. Minha avó tinha telefone não por razões práticas mas, como sugeriram Veblen e Freud, por razões simbólicas. Para esnobar riqueza. Quem tinha telefone era rico.
Telefonema era coisa grave. As casas não tinham telefone. Havia um “posto telefônico”. A chamada chegava no posto, que enviava um mensageiro à casa da pessoa chamada. Chegava o mensageiro, todo mundo estremecia. Tinha de ser coisa muito grave. Quem será que morreu? – se perguntava. Acho que é essa gravidade ancestral de uma chamada telefônica que explica o fato de que quando o telefone toca todo mundo corre. Interrompe-se tudo. Não conheço ninguém que, tocando o telefone, deixe o telefone tocar. Preciso resolver um assunto num escritório. Paro minhas coisas para ir lá. No balcão, ou numa mesa, converso com o funcionário. No meio da conversa, toca o telefone. Quem telefonou não foi lá, como eu, ficou em casa, não quis perder tempo. Pois quem estava me atendendo, sistematicamente, interrompe nossa conversa, me deixa esperando, e fica atendendo aquele que não foi. Por que? Porque se pressupõe que o telefonema é sempre mais importante. Telefonema é coisa grave.
Nos aeroportos fico contemplando o espetáculo, todo mundo falando no celular. Penso: Quantas coisas importantes estão acontecendo, inadiáveis! Ah! Como se sentem felizes as pessoas quando seu telefone celular toca. O toque de um celular anuncia para todos o quão importante ela é. Eu, com frequência, faço palestras. E já é norma esperada que, no meio da minha fala, um telefone celular toque. A princípio eu ficava indignado mas não dizia nada. Mudei de idéia quando, certa vez, o telefone de um cavalheiro que se assentava na primeira fila tocou e ele, ao invés de desligar o telefone, conversou tranquilamente com a pessoa do outro lado da linha (??). E ali fiquei eu perplexo, com cara de bobo, falando, enquanto o tal cavalheiro, do centro de sua bolha narcísica, anunciava para as 600 pessoas o quão importante ele era. A pessoa que faz isso tem uma visão grandiosa e poderosa de si mesma. Ela se imagina encontrar no centro de coisas gravíssimas que exigem sua ação imediata. Caso contrário, se ela não atender o telefone e não agir, é possível que o mundo caia em pedaços. De alguma forma, é como se fôssemos um dos super-heróis, Batman ou Super-homem, de cuja ação imediata depende a normalidade do mundo. Agora quando o celular toca eu faço gozação. Faço interpretação psicanalítica. O telefone celular que toca é um falus que se exibe.
Quando eu era menino a diversão da gente era ir à matinée aos domingos, para o faroeste. O mocinho, com aqueles revolvões pendurados na cintura! Que inveja! Bem que eu gostaria de ter cinturão de mocinho com revólver no coldre. Assim, quando eu fosse andando pela rua todo mundo me olharia com medo e respeito. É essa fantasia infantil que me vem à cabeça quando vejo os homens andando por aí, com seus telefones celulares pendurados no coldre que está preso ao cinto. É menino realizando o sonho. Nos restaurantes cada um põe a sua arma sobre a mesa. É preciso estar atento. É preciso estar pronto. Jamais deixar o celular no carro! A qualquer momento pode surgir uma emergência. É preciso agir com rapidez.
Acho um telefone celular uma coisa útil. É possível que, no futuro, eu compre um dos pequenos ( pequeno mas potente!), que eu possa carregar na pochete. No coldre, jamais! Morreria de vergonha! Mas fico assombrado com a forma como as pessoas abrem mão da sua privacidade. Talvez porque a sua privacidade seja vazia, não tenha nada lá dentro. Sendo vazia, elas se sentem diluir no nada. Penso, assim, que o telefone celular é um artifício que se usa para lidar com a solidão. Que horror, quando o celular não toca! Ninguém está se lembrando de mim! Ninguém precisa de mim! Vou sugerir aos fabricantes de celulares que os aparelhos tenham um marcador de chamadas. Assim, ao final do mês, as pessoas poderão avaliar o quão importantes elas são. “Ah! Como sou importante! Fui chamado 280 vezes!” Assim ficarão felizes. Os celulares podem ser, assim, aparelhos para se medir, quantitativamente o grau de importância de alguém. O que importa não é a mensagem, aquilo que é comunicado. É o meio – o fato de o celular estar sendo usado. Como dizia Marshal MacLuhan: ” O meio é a mensagem”. Essa é a razão por que as pessoas aumentam o seu prazer falando no celular de forma a serem vistas e ouvidas. É preciso que todos saibam! Nos aeroportos elas falam andando (para aumentar o público) e falando alto para que os que não estão vendo ouçam. É divertido.
Tenho saudades do tempo, lá em Minas, do barbante pelo buraco na porta. Os visitantes eram sempre amigos e poucos. Hoje é perigoso deixar o barbante de fora. A gente termina por perder a casa. Tenho medo do e-mail. Tenho medo do celular".
20 de junho de 2010
Sob a ótica dos olhares trazidos no poema "O Navio Negreiro" de Castro Alves
I
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar... Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
...
Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.
(Castro Alves)
8 de janeiro de 2010
AQUELA SAUDADE DO INFINITO
Caro Diretor,existe uma frase de Dostoievsky que me acompanha nestes tempos, tendo de falar do cristianismo para as mais diversas pessoas na Itália e no exterior: “Um homem culto de nossos dias pode crer, crer realmente, na divindade do filho de Deus, Jesus Cristo?”. Esta pergunta soa como um desafio para cada um de nós. É precisamente da resposta a ela que depende a possibilidade de sucesso da fé hoje. Num discurso de 1996, o então cardeal Ratzinger respondeu que a fé pode esperar isso “porque ela corresponde à natureza do homem. No homem vive indelével o anseio do infinito”. E com isso indicava também a condição necessária: que o cristianismo tem necessidade de encontrar o homem que vibra em cada um de nós para mostrar todo o alcance da sua pretensão.Mesmo assim, em quantas ocasiões somos tentados a olhar para a humanidade concreta que temos – por exemplo, a dificuldade, a insatisfação, a tristeza, o tédio – como um obstáculo, uma complicação, um empecilho para a realização daquilo que desejamos. E assim ficamos com raiva de nós mesmos e da realidade, sucumbindo sob o peso das circunstâncias, na ilusão de ir avante cortando alguns pedaços de nós. Mas dificuldade, insatisfação, tristeza, tédio não são sintomas de uma doença sobre a qual intervir com remédios, como acontece cada vez mais numa sociedade que confunde a inquietação do coração com o pânico e com a ansiedade. São mais sinais de qual seja a natureza do eu. O nosso desejo é maior do que todo o universo. A percepção do vazio em nós e ao nosso redor, do qual fala Leopardi (“falta e vazio”), e o tédio, do qual fala Heidegger, são a prova da inexorabilidade do nosso coração, do caráter desmedido do nosso desejo – nada é capaz de nos dar satisfação e paz -; podemos esquecer, trair, enganar, mas não podemos tirar isso de nós.Por isso o verdadeiro obstáculo ao caminho não é a nossa concreta humanidade, mas o descuido dela. Tudo em nós grita a exigência de algo que preencha o vazio. Até Nietzsche intuía isso, tanto que não pôde evitar dirigir-se ao “deus desconhecido” que faz todas as coisas: “Elevo, só, minhas mãos (...) ‘Ao Deus desconhecido’.(...) Eu quero Te conhecer, desconhecido. Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida. Tu, o incompreensível, mas meu semelhante” (1864).O Natal é o anúncio de que esse desconhecido Mistério tornou-se uma presença familiar, sem a qual nenhum de nós poderia permanecer homem por muito tempo, findaria arrastado pela confusão, vendo decompor-se o próprio rosto, porque “somente o divino pode ‘salvar’ o homem, isto é, as dimensões verdadeiras e essenciais da figura humana e do seu destino” (D. Giussani).O sinal mais persuasivo de que Cristo é Deus, o milagre maior com o qual todos ficavam tocados - mais ainda do que as pernas endireitadas e a cura da cegueira – era um olhar sem comparações. O sinal de que Cristo não é uma teoria ou um conjunto de regras é aquele olhar, do qual o Evangelho está repleto: o Seu modo de tratar o humano, de se relacionar com aqueles que encontrava pelo caminho. Pensemos em Zaqueu e em Madalena: não lhes pediu para mudar, abraçou-os assim como eram, na sua humanidade ferida, ensanguentada, necessitada de tudo. E a vida deles, abraçada, despertava naquele instante em toda a sua profundidade original.Quem não desejaria ser alcançado por um semelhante olhar agora? Na realidade “não é possível permanecer no amor a si próprio sem que Cristo seja uma presença como é uma presença uma mãe para o filho. Sem que Cristo seja presença agora – agora! –, eu não me posso amar a mim agora e não te posso amar a ti agora” (D. Giussani). Seria a única forma para responder como homens do nosso tempo, razoável e criticamente, à pergunta de Dostoievsky.Mas como sabemos que Cristo está vivo agora? Porque o Seu olhar não é um acontecimento do passado. Continua tal e qual no mundo: desde o dia da Sua ressurreição a Igreja existe só para tornar experiência a afeição de Deus, por meio de pessoas que são o Seu corpo misterioso, testemunhas hoje da história daquele olhar capaz de abraçar todo o humano.Obrigado.
texto retirado do site: http://www.passos-cl.com.br/pagina.asp?cod=654&tipo=0
7 de setembro de 2009
Cia Brasileira de Ballet
26 de agosto de 2009
Uma verdadeira obra-prima do mestre Graciliano Ramos- "Vidas Secas"
Sinopse: Baseado na obra de Graciliano Ramos, mostra a saga da família retirante pressionada pela seca no sertão brasileiro. Fabiano, Sinhá Vitória, o filho mais velho e o mais novo, além da cachorra Baleia, atravessam o sertão tentando sobreviver.
9 de agosto de 2009
O Centro do Rio de Janeiro, um lugar cheio de história.

(Avenida Rio Branco)
Passeando pelas ruas do Rio de Janeiro, especificamente, no Centro, traçamos como ponto de partida a Avenida Rio Branco, fomos em direção às ruas transversais, e encontramos e percorremos a famosa Rua do Ouvidor, a famosa rua onde percorreu ilustres como Machado de Assis, considerada a principal artéria do centro da cidade e conhecida rua comercial do Rio de Janeiro. Através da rua do Ouvidor desembocamos nos principais pontos históricos e culturais, como o Centro Cultural do Banco do Brasil, o Centro Cultural dos Correios, onde são vistas exposições artísticas, trazendo uma riqueza de cultura para aquele lugar. Quase um beco infinito, onde prevalece e marca uma infinitude na história.
Pesquisando na internet sobre a rua do Ouvidor, encontro um trecho de um texto de Machado de Assis em que ele fala da referida rua. É um texto retirado de sua crônica "Tempo de crise" publicada em abril de 1873.
“– Não; fiquemos um pouco à porta; quero conhecer esta rua de que tanto se fala.
– Com razão, respondeu o C...
Dizem de Shakespeare que, se a humanidade perecesse, ele só poderia recompô-la, pois que não deixou intacta uma fibra sequer do coração humano. Aplico el cuento. A rua do Ouvidor resume o Rio de Janeiro. A certas horas do dia, pode a fúria celeste destruir a cidade; se conservar a rua do Ouvidor, conserva Noé, a família e o mais. Uma cidade é um corpo de pedra com um rosto. O rosto da cidade fluminense é esta rua, rosto eloqüente que exprime todos os sentimentos e todas as idéias...
– Contínua, meu Virgilio.
– Pois vai ouvindo, meu Dante.
Queres ver a elegância fluminense? Aqui acharás a flor da sociedade, as senhoras que vêm escolher jóias ao Valais ou sedas à Notre Dame, os rapazes que vêm conversar de teatros, de salões, de modas e de mulheres.
Queres saber da política? Aqui saberás das notícias mais frescas, das evoluções próximas, dos acontecimentos prováveis; aqui verás o deputado atual com o deputado que foi, o ministro defunto e às vezes o ministro vivo. Vês aquele sujeito? É um homem de letras. Deste lado, vem um dos primeiros negociantes da praça.
Queres saber do estado do câmbio? Vai ali ao Jornal do Comércio, que é o Times de cá. Muita vez encontrarás um cupê à porta de uma loja de modas: é uma Ninon fluminense. Vês um sujeito ao pé dela, dentro da loja, dizendo um galanteio? Pode ser um diplomata. Dirás que eu só menciono a sociedade mais ou menos elegante? Não; o operário pára aqui também para ter o prazer de contemplar durante minutos uma destas vidraças rutilantes de riqueza, – porquanto, meu caro amigo, a riqueza tem isto de bom consigo, é que a simples vista consola.
Saiu-me o C... tamanho filósofo que me espantou. Ao mesmo tempo agradeci ao céu tão precioso encontro. Para um provinciano, que não conhece bem a capital, é uma felicidade encontrar um cicerone inteligente.”
A todo momento, a Praça Tiradentes, era mais um ponto referencial para a localização dos lugares a percorrer.
"Na mesma região, outros locais de interesse são a Praça Tiradentes – em que ficava a livraria Paulo Brito, onde Machado de Assis teve seu primeiro emprego. Ali o jovem escritor conheceu também a vida dos teatros São João – hoje João Caetano – e São Pedro."
E a história não para por aí, outro lugar belíssimo, vislumbrada no Centro é a Catedral Metropolitana de São Sebastião.
"No interior, os vitrais em cores fortes, ao longo das paredes, nos quatros pontos cardiais, deixam filtrar a luz do sol com diversas intensidades nas diferentes horas do dia, criando um clima místico. As apresentações em cada faixa de vitral, se diferenciando pela cor, guardam a simbologia própria da Igreja Católica. O projeto do interior é do padre Paulo Lachen Maier, que também redesenhou a nova sacristia e a pia batismal. As esculturas que guarnecem o interior da igreja e os painéis do interior da sacristia foram esculpidos pelo artista Humberto Cozzi. Atrás da sacristia, a capela do santíssimo guarda dois lampadário do artesão Nicola Zanatto. No subsolo está instalado o Museu de Arte Sacra, merecendo destaque as bacias utilizadas para o batismo dos príncipes da casa imperial, uma imagem de Nossa Senhora do Rosário, o Trono de Dom Pedro II e a Rosa de Ouro oferecida à princesa Isabel pelo Papa Leão XIII, celebrando a assinatura da Lei Áurea."
(http://www.centrodacidade.com.br/cultura/Textos/Igrcmss.htm)
Outro lugar encontrado, a Biblioteca Nacional,considerada a maior da América Latina, onde publicações raras estão guardadas, como exemplares da edição de 1572 dos "Lusíadas", de Camões.
Outra rua que não poderíamos deixar de pisar os pés, a rua da Carioca, local onde encontramos tantas lanchonetes, e um belo visual de prédios antigos.
"E foi na rua da Carioca que Conselheiro Aires (em “Esaú e Jacó”) encontrou muita gente parada e quis voltar “não por medo, mas por ter horror à multidão”. Já a companheira de Aires entrou pela Gonçalves Dias, rua em que se vê de longe os toldos azuis da mais elegante confeitaria do Rio do século 19, muito freqüentada pelo escritor: a belíssima Colombo."
"Não se pode concluir o passeio sem passar pela Lapa. Pois foi na Lapa, na rua Matacavalos, hoje Riachuelo, onde primeiro moraram, antes de seguirem para a “vida plácida” na Glória, Bentinho e Capitu (de “Dom Casmurro”)".


