
(Avenida Rio Branco)
Passeando pelas ruas do Rio de Janeiro, especificamente, no Centro, traçamos como ponto de partida a Avenida Rio Branco, fomos em direção às ruas transversais, e encontramos e percorremos a famosa Rua do Ouvidor, a famosa rua onde percorreu ilustres como Machado de Assis, considerada a principal artéria do centro da cidade e conhecida rua comercial do Rio de Janeiro. Através da rua do Ouvidor desembocamos nos principais pontos históricos e culturais, como o Centro Cultural do Banco do Brasil, o Centro Cultural dos Correios, onde são vistas exposições artísticas, trazendo uma riqueza de cultura para aquele lugar. Quase um beco infinito, onde prevalece e marca uma infinitude na história.
Pesquisando na internet sobre a rua do Ouvidor, encontro um trecho de um texto de Machado de Assis em que ele fala da referida rua. É um texto retirado de sua crônica "Tempo de crise" publicada em abril de 1873.
“– Não; fiquemos um pouco à porta; quero conhecer esta rua de que tanto se fala.
– Com razão, respondeu o C...
Dizem de Shakespeare que, se a humanidade perecesse, ele só poderia recompô-la, pois que não deixou intacta uma fibra sequer do coração humano. Aplico el cuento. A rua do Ouvidor resume o Rio de Janeiro. A certas horas do dia, pode a fúria celeste destruir a cidade; se conservar a rua do Ouvidor, conserva Noé, a família e o mais. Uma cidade é um corpo de pedra com um rosto. O rosto da cidade fluminense é esta rua, rosto eloqüente que exprime todos os sentimentos e todas as idéias...
– Contínua, meu Virgilio.
– Pois vai ouvindo, meu Dante.
Queres ver a elegância fluminense? Aqui acharás a flor da sociedade, as senhoras que vêm escolher jóias ao Valais ou sedas à Notre Dame, os rapazes que vêm conversar de teatros, de salões, de modas e de mulheres.
Queres saber da política? Aqui saberás das notícias mais frescas, das evoluções próximas, dos acontecimentos prováveis; aqui verás o deputado atual com o deputado que foi, o ministro defunto e às vezes o ministro vivo. Vês aquele sujeito? É um homem de letras. Deste lado, vem um dos primeiros negociantes da praça.
Queres saber do estado do câmbio? Vai ali ao Jornal do Comércio, que é o Times de cá. Muita vez encontrarás um cupê à porta de uma loja de modas: é uma Ninon fluminense. Vês um sujeito ao pé dela, dentro da loja, dizendo um galanteio? Pode ser um diplomata. Dirás que eu só menciono a sociedade mais ou menos elegante? Não; o operário pára aqui também para ter o prazer de contemplar durante minutos uma destas vidraças rutilantes de riqueza, – porquanto, meu caro amigo, a riqueza tem isto de bom consigo, é que a simples vista consola.
Saiu-me o C... tamanho filósofo que me espantou. Ao mesmo tempo agradeci ao céu tão precioso encontro. Para um provinciano, que não conhece bem a capital, é uma felicidade encontrar um cicerone inteligente.”
A todo momento, a Praça Tiradentes, era mais um ponto referencial para a localização dos lugares a percorrer.
"Na mesma região, outros locais de interesse são a Praça Tiradentes – em que ficava a livraria Paulo Brito, onde Machado de Assis teve seu primeiro emprego. Ali o jovem escritor conheceu também a vida dos teatros São João – hoje João Caetano – e São Pedro."
E a história não para por aí, outro lugar belíssimo, vislumbrada no Centro é a Catedral Metropolitana de São Sebastião.
"No interior, os vitrais em cores fortes, ao longo das paredes, nos quatros pontos cardiais, deixam filtrar a luz do sol com diversas intensidades nas diferentes horas do dia, criando um clima místico. As apresentações em cada faixa de vitral, se diferenciando pela cor, guardam a simbologia própria da Igreja Católica. O projeto do interior é do padre Paulo Lachen Maier, que também redesenhou a nova sacristia e a pia batismal. As esculturas que guarnecem o interior da igreja e os painéis do interior da sacristia foram esculpidos pelo artista Humberto Cozzi. Atrás da sacristia, a capela do santíssimo guarda dois lampadário do artesão Nicola Zanatto. No subsolo está instalado o Museu de Arte Sacra, merecendo destaque as bacias utilizadas para o batismo dos príncipes da casa imperial, uma imagem de Nossa Senhora do Rosário, o Trono de Dom Pedro II e a Rosa de Ouro oferecida à princesa Isabel pelo Papa Leão XIII, celebrando a assinatura da Lei Áurea."
(http://www.centrodacidade.com.br/cultura/Textos/Igrcmss.htm)
Outro lugar encontrado, a Biblioteca Nacional,considerada a maior da América Latina, onde publicações raras estão guardadas, como exemplares da edição de 1572 dos "Lusíadas", de Camões.
Outra rua que não poderíamos deixar de pisar os pés, a rua da Carioca, local onde encontramos tantas lanchonetes, e um belo visual de prédios antigos.
"E foi na rua da Carioca que Conselheiro Aires (em “Esaú e Jacó”) encontrou muita gente parada e quis voltar “não por medo, mas por ter horror à multidão”. Já a companheira de Aires entrou pela Gonçalves Dias, rua em que se vê de longe os toldos azuis da mais elegante confeitaria do Rio do século 19, muito freqüentada pelo escritor: a belíssima Colombo."
"Não se pode concluir o passeio sem passar pela Lapa. Pois foi na Lapa, na rua Matacavalos, hoje Riachuelo, onde primeiro moraram, antes de seguirem para a “vida plácida” na Glória, Bentinho e Capitu (de “Dom Casmurro”)".

Nenhum comentário:
Postar um comentário